12 de novembro de 2014

A chuva das quatro e meia da manhã é tão mais poética. 

Deixemos que reine o silêncio para ouvi-la e, se mo permitires, contemplá-la. Deixem-se as conversas, esses curtos poemas que ora proferes tu, ora recito eu. Não passam de palavras... E a melodia da chuva é tão melhor! Deixa cair tudo por terra, mesmo tudo, como cai também a chuva. 

As gotas que caem não são seleccionadas, não há critério, caem todas. Porque havemos nós de classificar tudo? Que caia, então. Nem têm melodia, nem poesia. De que nos servem guardadas, entranhadas em nós? Se só irão provocar uma espécie de dilúvio, num dia destes... Deixa. Deixa-me estar assim, ficar assim, ser assim. Por muito que não entendas, não me roubes o prazer de ouvir a chuva.

São só conversas pequeninas. Conversas pequeninas não são poéticas, como a chuva da madrugada. Eu fico aqui, remetida ao silêncio, maravilhada com isto. Isto que é de uma calma descomunal. Eu deixei cair tudo e distraí-me com a chuva, que cai agora, já às quatro e quarenta e sete da manhã. E gosto. 

Não te prepares para apanhar tudo de novo em breve, porque eu quis mesmo que caísse. Ao deixar cair, tenho um silêncio que, para mim, é mais que reconfortante. Não é poético como o da noite em que cai a chuva, mas, ainda assim, é silêncio. E eu até gosto desta poesia... Não a deixes morrer.

J.

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